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A cura surge quando percebemos a existência de um distanciamento da nossa natureza integral. Digo isso porque o simples fato de reconhecer a necessidade já abre portas para o fluir das energias curadoras em nossas vidas.


O rapé, um fino pó aplicado nas vias nasais através do sopro (que também é uma forma de medicina), vem de várias tradições e culturas ancestrais ligadas às medicinas da floresta, apresentando um histórico vasto e antigo, pois essas culturas derivam de povos ancestrais que possuíam o conhecimento e a percepção das necessidades de suas tribos junto ao ambiente em que viviam.

O rapé era utilizado como um protetor contra a “panema” - uma expressão que engloba todas as mazelas que enfraquecem o espírito. Nosso ser espiritual é a essência de nossa missão pessoal e núcleo por onde flui a consciência.

É fácil perceber o quanto o enfraquecimento do espírito pode nos retirar de nosso caminho natural, levando-nos ao desgaste do corpo físico, da mente e das emoções, pois é dele que jorra o poder pessoal que nos coloca no estado de prontidão e disposição para cumprir com os passos que realizam nossos sonhos.

A medicina do rapé é capaz de promover o alinhamento entre corpo, mente, emoções e espírito, equilibrando a integridade do ser para a melhor expressão da totalidade do potencial latente em cada indivíduo e, também, uma limpeza energética de miasmas acumulados em vários níveis. Fisicamente, o rapé vem trazer limpeza das vias aéreas, facilitando o processo respiratório, sendo assim uma forte medicina no combate e prevenção da sinusite, rinite e enxaqueca. Essas três mazelas físicas criam uma crosta nos ossos do rosto próximo às vias respiratórias, causando inflamação dos mesmos, gerando febre e dores no corpo, especialmente na cabeça, mais especificamente na região da testa. Nesse caso estamos lidando também com um bloqueio da energia da região do centro visionário do ser, ou em outros termos falamos de uma obstrução energética do terceiro olho. Tal obstrução dificulta a percepção real e intuitiva da realidade em que estamos inseridos, debilitando o ser na obtenção de clareza em sua vida para distinguir o que realmente é essencial e necessário na existência.

Podemos citar ainda a grandiosidade dessa medicina junto ao revigorar da disposição e da prontidão, características fundamentais para a mobilidade da vontade de um ser a seguir com suas realizações pessoais.

Falo tudo isso a respeito do rapé de um modo geral, mas é importante citar que essa medicina possui uma variação de receitas muito grande, existindo diversos tipos de rapés que ampliam essa base medicinal à qual fiz referências, sendo cada um feito e utilizado para fins específicos. O rapé pode ser aplicado em qualquer ambiente tranquilo e seguro, de preferência sob a supervisão inicial de alguém experiente na utilização desta medicina. Mas quando utilizado em ambiente natural, a essência dessa medicina se torna mais ativa, devido à sensibilização que a natureza causa nos que estão em interação com ela.

É importante reconhecermos que tudo expressa sua serventia pelo simples fato de existir, e nesse caso expressam seus dons, virtudes e principalmente inspirações. A medicina leva os seres que se permitem encarar seus desafios ao estado de profunda determinação e reconhecimento do poder pessoal que possuem, pois é necessário uma força de vontade ferrenha para superar a estagnação do corpo e da mente, condicionados pela rotina diária baseada na comodidade e superficialidade. Todo o esforço que um ser humano faz junto da montanha é recompensado com a contemplação da amplitude de visão que seu topo traz, permitindo que se descubra através da sensibilidade uma ampliação de horizontes capaz de expandir a percepção ao ponto de descobrir verdades essenciais de sua natureza e de sua vida.

Essas duas medicinas aliadas uma à outra levam o ser a um estado de plenitude, onde o núcleo espiritual se deixa claramente visível numa experiência engrandecedora de reconhecimento, alinhamento e reconexão da força que nos motiva a viver e cumprir com nossas metas existenciais, que nada são além dos sonhos íntimos que temos em nosso profundo ser.

 

 

 


Autor. desconhecido